O Boxe e as Meninas de Ouro do Brasil
Escrito por: Patrícia Castelan / Twitter: @patycastelan
Lançado em 2004 e vencedor de 4 estatuetas do Oscar, o filme Menina de Ouro, conta a história de uma moça que tinha o sonho de ser lutadora de Boxe. O filme conta com as atuações brilhantes de Clint Eastewood que também dirigiu o filme, o gênio Morgan Freeman e Hilary Swanke no papel principal e fala do dia a dia de uma lutadora de Boxe de forma memorável.
Vamos conhecer um pouco da história deste esporte apaixonante e quem são as nossas Meninas de Ouro?
Esporte praticado pelos gregos nas primeiras Olímpiadas, o Boxe da era moderna teve o início de sua prática na cidade de Londres em torno do ano de 1719 tendo o esgrimista James Figg e Jack Broughton como seus criadores. Figg adaptou as práticas da esgrima ao esporte e lhe deu poder técnico.
A princípio, o esporte era praticado sem luvas e era normal que os oponentes se machucassem muito durante as lutas pois além disso, não haviam muitas regras a serem respeitadas.
Somente com a criação das famosas Regras de Queensberry (consiste em quesitos básicos como lutas somente dentro de um local apropriado como um ringue, uso de luvas, proibição de alguns golpes, intervalos de tempo, os hoje chamados rounds e assim por diante), e elas serem estabelecidas, é que a modalidade configurou-se efetivamente como esporte no ano de 1867 tornando-se organizado, bem mais seguro e agora sim tinha a formatção de esporte com práticas bem definidas.
Contudo, as mulheres, já dando seus passos ainda mais avançados em busca da sua liberdade de escolha, pensamento e ações, começam a praticar o Boxe em Londres em 1720, apenas um ano depois do início da prática do esporte pelos homens. Apesar do tempo de existência, somente em 1950 é que foram promovidas as primeiras lutas profissionais de Boxe feminino e desta vez não mais em Londres mas nos Estados Unidos.
No Brasil, o esporte chegou a São Paulo através de marinheiros vindos da França no ano de 1918. Quanto ao Boxe feminino não se sabe ao certo em que data iniciou nem mesmo se pesquisarmos no site da Confederação Brasileira de Boxe o que é algo inadmissível, diga-se.
De fato os esportes de luta, todos e obviamente com o Boxe não seria diferente, teve seu início conturbado, de forma amadora como os demais mas com muita polêmica e pouco apoio, o feminino então nem se fala.
Sempre muito criticado por todos por ser um esporte de combate, o Boxe feminino teve que vencer muitos desafios e preconceitos mesmo no país que mais o divulga e o difundiu para o mundo, os Estados Unidos.
Na verdade, o esporte só voltou a ser considerado por lá com a luta entre as filhas de gênios, mitos do Boxe, Ali e Frazier em 2001.
Nesta mesma época, impulsionada por dificuldades criadas por sucessivas guerras em seu país, a atual Sérvia, Duda Yankovich resolve vir para o Brasil, começar vida nova e o Boxe, mesmo com todas as extremas dificuldades de apoio que o esporte enfrenta, tanto no masculino quanto no feminino foi sua escolha. Duda, que havia sido guarda-costas na Sérvia, não teve nenhuma dificuldade para engressar no Boxe. Logo que começou a lutar em 2001, Duda chamou a atenção pela sua beleza física e por sua qualidade técnica. Aliás, as lutadoras brasileiras de maior sucesso, por incrível que possa parecer, têm essa característica, a beleza.

Duda naturalizou-se brasileira e levou o nome do Brasil ao seu nível mais alto no Boxe feminino conquistando o cinturão de campeã mundial de Boxe pela categoria médio-ligeiro.
Mesmo com o título, a escassez de eventos e consequentemente, patrocinadores, o Boxe feminino beira o ostracismo. Vale lembrar que a modalidade vai estar presente agora nas Olímpiadas de 2012 em Londres, onde tudo começou.
Duda que sempre praticou outros esportes de luta, como o Karatê, por exemplo, desde a infância, diz-se pronta para entrar de uma vez no mundo do MMA, das artes marciais mistas e concilia sua agenda de treinos com a rotina de ter outras profissões como a de personal trainer, por exemplo, uma vez que mesmo tendo um cinturão da WIBA (Women's International Boxing Association), é impossível, tanto a homens quanto mulheres viverem do Boxe, o que consiste num absurdo, mais um.
O cartel de Duda é muito bom. Ela tem 13 lutas com 11 vitórias sendo 5 por nocaute. Tem somente 2 derrotas em sua carreira, resultados estes que lhe valeram o que foi o maior título de Duda e também o nosso maior título na história do Boxe feminino no país, o Cinturão Mundial dos médio-ligeiros.
Outra que brilhou na história do Boxe feminino nacional é a paulista Adriana Salles. Adriana deixou uma carreira bem sucedida como modelo para dedicar-se inteiramente ao Boxe
Com um cartel de 12 lutas, 9 vitórias sendo 3 por nocaute e apenas 3 derrotas, Adriana quase igualou o feito de Duda mas em uma luta polêmica contra a argentina Marcela Acuña, teve a terceira derrota de sua carreira e agora luta em busca de melhores condições de trabalho.
Adriana, assim como os demais boxers, também sofre com a falta de patrocínios e apoio vindos tanto da parte da própria Confederação Nacional como do público que não assiste mais Boxe.
Não sei para vocês mas para mim, o primeiro esporte de luta que me chamou atenção e que me fez gostar dos demais, foi o Boxe. É realmente muito doloroso ver que o esporte não tem importância praticamente nenhuma mais e não só aqui mas no cenário mundial, o que é ainda pior.
Esportistas talentosos jogados ao esquecimento e ao ostracismo. Não podemos deixar isso acontecer
!
Escrito por: Patrícia Castelan / Twitter: @patycastelan
Lançado em 2004 e vencedor de 4 estatuetas do Oscar, o filme Menina de Ouro, conta a história de uma moça que tinha o sonho de ser lutadora de Boxe. O filme conta com as atuações brilhantes de Clint Eastewood que também dirigiu o filme, o gênio Morgan Freeman e Hilary Swanke no papel principal e fala do dia a dia de uma lutadora de Boxe de forma memorável.
Vamos conhecer um pouco da história deste esporte apaixonante e quem são as nossas Meninas de Ouro?
Esporte praticado pelos gregos nas primeiras Olímpiadas, o Boxe da era moderna teve o início de sua prática na cidade de Londres em torno do ano de 1719 tendo o esgrimista James Figg e Jack Broughton como seus criadores. Figg adaptou as práticas da esgrima ao esporte e lhe deu poder técnico.
A princípio, o esporte era praticado sem luvas e era normal que os oponentes se machucassem muito durante as lutas pois além disso, não haviam muitas regras a serem respeitadas.
Somente com a criação das famosas Regras de Queensberry (consiste em quesitos básicos como lutas somente dentro de um local apropriado como um ringue, uso de luvas, proibição de alguns golpes, intervalos de tempo, os hoje chamados rounds e assim por diante), e elas serem estabelecidas, é que a modalidade configurou-se efetivamente como esporte no ano de 1867 tornando-se organizado, bem mais seguro e agora sim tinha a formatção de esporte com práticas bem definidas.
Contudo, as mulheres, já dando seus passos ainda mais avançados em busca da sua liberdade de escolha, pensamento e ações, começam a praticar o Boxe em Londres em 1720, apenas um ano depois do início da prática do esporte pelos homens. Apesar do tempo de existência, somente em 1950 é que foram promovidas as primeiras lutas profissionais de Boxe feminino e desta vez não mais em Londres mas nos Estados Unidos.
No Brasil, o esporte chegou a São Paulo através de marinheiros vindos da França no ano de 1918. Quanto ao Boxe feminino não se sabe ao certo em que data iniciou nem mesmo se pesquisarmos no site da Confederação Brasileira de Boxe o que é algo inadmissível, diga-se.
De fato os esportes de luta, todos e obviamente com o Boxe não seria diferente, teve seu início conturbado, de forma amadora como os demais mas com muita polêmica e pouco apoio, o feminino então nem se fala.
Sempre muito criticado por todos por ser um esporte de combate, o Boxe feminino teve que vencer muitos desafios e preconceitos mesmo no país que mais o divulga e o difundiu para o mundo, os Estados Unidos.
Na verdade, o esporte só voltou a ser considerado por lá com a luta entre as filhas de gênios, mitos do Boxe, Ali e Frazier em 2001.
Nesta mesma época, impulsionada por dificuldades criadas por sucessivas guerras em seu país, a atual Sérvia, Duda Yankovich resolve vir para o Brasil, começar vida nova e o Boxe, mesmo com todas as extremas dificuldades de apoio que o esporte enfrenta, tanto no masculino quanto no feminino foi sua escolha. Duda, que havia sido guarda-costas na Sérvia, não teve nenhuma dificuldade para engressar no Boxe. Logo que começou a lutar em 2001, Duda chamou a atenção pela sua beleza física e por sua qualidade técnica. Aliás, as lutadoras brasileiras de maior sucesso, por incrível que possa parecer, têm essa característica, a beleza.

Duda naturalizou-se brasileira e levou o nome do Brasil ao seu nível mais alto no Boxe feminino conquistando o cinturão de campeã mundial de Boxe pela categoria médio-ligeiro.
Mesmo com o título, a escassez de eventos e consequentemente, patrocinadores, o Boxe feminino beira o ostracismo. Vale lembrar que a modalidade vai estar presente agora nas Olímpiadas de 2012 em Londres, onde tudo começou.
Duda que sempre praticou outros esportes de luta, como o Karatê, por exemplo, desde a infância, diz-se pronta para entrar de uma vez no mundo do MMA, das artes marciais mistas e concilia sua agenda de treinos com a rotina de ter outras profissões como a de personal trainer, por exemplo, uma vez que mesmo tendo um cinturão da WIBA (Women's International Boxing Association), é impossível, tanto a homens quanto mulheres viverem do Boxe, o que consiste num absurdo, mais um.
O cartel de Duda é muito bom. Ela tem 13 lutas com 11 vitórias sendo 5 por nocaute. Tem somente 2 derrotas em sua carreira, resultados estes que lhe valeram o que foi o maior título de Duda e também o nosso maior título na história do Boxe feminino no país, o Cinturão Mundial dos médio-ligeiros.
Outra que brilhou na história do Boxe feminino nacional é a paulista Adriana Salles. Adriana deixou uma carreira bem sucedida como modelo para dedicar-se inteiramente ao Boxe
Com um cartel de 12 lutas, 9 vitórias sendo 3 por nocaute e apenas 3 derrotas, Adriana quase igualou o feito de Duda mas em uma luta polêmica contra a argentina Marcela Acuña, teve a terceira derrota de sua carreira e agora luta em busca de melhores condições de trabalho.
Adriana, assim como os demais boxers, também sofre com a falta de patrocínios e apoio vindos tanto da parte da própria Confederação Nacional como do público que não assiste mais Boxe.
Não sei para vocês mas para mim, o primeiro esporte de luta que me chamou atenção e que me fez gostar dos demais, foi o Boxe. É realmente muito doloroso ver que o esporte não tem importância praticamente nenhuma mais e não só aqui mas no cenário mundial, o que é ainda pior.
Esportistas talentosos jogados ao esquecimento e ao ostracismo. Não podemos deixar isso acontecer
!
Escrito por: Patrícia Castelan / Twitter: @patycastelan